Ele é bonito, meio bruto, o que faz total diferença no seu charme másculo. Age tão naturalmente diante dos olhares indiscretos das mulheres, e com aquele sorriso tão singular é nítido a reação que causa nelas. Mas não tinha espaço para dúvidas, ele era o estereótipo perfeito do cara que não vale nada. Sei que posso estar errada, que existem exceções, sempre existe. No final, descobri que nem certa e nem errada, ele era o caos, a medida certa entre a exceção e o exagero. Como explicar uma turbulência e calmaria simultaneamente? Ele. 

O vento sopra em sua direção e seu perfume se espalha, o cabelo assanha e essa visão me arranca um suspiro. Nas escolhas da vida me permiti ficar perto o suficiente só para não estar longe, um pouco arriscado, admito. No ar frio e seco daquele fim de tarde em que lhe observava ocasionalmente, seus lábios pareciam ressecados. Me coloquei a mercê do que particularmente considerei uma péssima escolha. Talvez tenha sido a ponta fria do seu nariz ao tocar minha pele. Perdi-me no seu exagero. Sua língua era quente e sua boca para me contrariar era a mais macia que já conhecera.