Não me parecem boas o suficiente. Nenhuma palavra anda me servindo ultimamente para que eu consiga desengasgar a enxurrada de sentimentos entalados em algum lugar dentro de  mim. Já fiquei deitada, andando de um lado para o outro, de ponta cabeça, até dancei um pouco, coloquei música alta, li alguns livros e já pensei em ficar me olhando no espelho esperando apenas que todas as palavras voltassem a seus significados de origem e que pudessem traduzir novamente tudo aquilo que desaprendi a dizer.

"Faço das suas, as minhas palavras" foi o que pensei quando ouvi você pronunciar tudo aquilo que tentei e não consegui por muito tempo. Tudo o que você diz parece soar tão bem, é estranho, eu quem costumava ser boa com as palavras e não você. Lembro o seu costume de atirar contra mim o que eu mesma dizia em momentos aleatórios mas que você memorizava perfeitamente, foi assim que aprendi a ter cuidado com o poder que uma simples palavra poderia ter. De tanto pensar em qual seria a melhor, a perfeita, acabei me deixando levar como se fossem sempre insuficientes e que apenas as suas seriam incontestáveis e certas.

Acho que descobri o motivo para essa minha confusão toda, você é o culpado dela.  As vezes penso que isso deveria servir de inspiração para que meus textos fluíssem, mas a cada dia que passa parece que as borboletas que foram plantadas em meu estômago se multiplicam desenfreadamente e isso me atrapalha - mas, não é ruim -. As borboletas contaram que me perdi em você e que por lá vou me encontrar, mas que eu não deixasse isso ocorrer novamente porque era necessário que me restassem no mínimo os pés firmes no chão e a cabeça erguida para que o controle da minha vida ainda me pertencesse.

Meu medo é de que você leve embora as borboletinhas, e que por algum motivo, você acabe ficando por lá. Seus lábios, da última vez em que tive notícias, diziam que tudo entre nós acabou e me mandavam embora a todo e qualquer custo por conta da dor que atos antigos, impensados por mim, causaram a você. Gostava mais quando ouvia ao acaso os seus planos para o futuro ou simplesmente, dizer que me amava. Já era o suficiente para me tornar completa mesmo que tudo ao nosso redor ainda fossem penhascos. Sua maneira de me pedir em casamento brincando a todo tempo me fez sorrir todas as vezes em que fiz questão de aceitar seu pedido, e saber que era a mim que você queria ao seu lado.
Parei de acreditar em seus dizeres a partir do momento em que senti que os pequeninos seres de asas que em mim habitavam estavam morrendo, eu tinha que desengasgar de uma vez por todas ou te perderia. Suas palavras já não eram mais as que eu queria ouvir, não eram mais as que significavam realmente tudo o que deveriam significar, e vendo você daquele jeito, vi que também havia se perdido na sua própria confusão.